Na tarde desta terça-feira (5), os homens que levaram tapas de um policial militar no município de Piúma, região sul do estado, foram ouvidos na Corregedoria da Polícia Militar, em Vitória. O caso aconteceu na última sexta-feira (1) dentro da garagem de um prédio. 

Tanto o homem que foi vítima das agressões, quanto o irmão dele, que foi algemado na ocasião, foram ouvidos na Corregedoria e disseram que pretendem processar os policiais que cometeram as agressões.

"Nós vamos entrar com uma ação cível, criminal e, inclusive, não só com os agressores, contra os policiais que ali estavam e se omitiram a repelir a injusta agressão sofrida contra a nossa pessoa", disse o irmão da vítima.

O caso

Toda ação foi registrada em vídeo, pelo filho de uma das vítimas, e mostra o momento exato em que o homem leva um tapa no rosto. A abordagem inicial aconteceu, segundo a polícia, porque os homens eram suspeitos de dirigir um carro com som alto pelos ruas da cidade. Fato negado pelos dois. 

A vítima, um técnico em refrigeração de 36 anos, disse que havia saído de casa com o carro para ir até a farmácia comprar remédios para o irmão, que é hipertenso. Por conta da movimentação de veículos na orla, ele resolveu voltar para o condomínio, deixar o carro e ir a pé. Mas quando voltava para o prédio, teria sido abordado pelos policiais.

Em nota, a Polícia Militar informou que no momento do patrulhamento, um carro com som alto não obedeceu a ordem de parada e o condutor deste veículo teria fugido do local. Porém, os policiais disseram que quando o carro foi encontrado, o motorista e o passageiro teriam entrado em um condomínio.

Ao entrarem na garagem do condomínio e abordarem os dois homens, as agressões começaram.

Depoimentos controversos

Também nesta terça-feira, o comandante da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar, Major Walter Áraujo, comentou o caso. 

"Quando os policiais tentaram realizar a abordagem, o condutor acelerou o carro na direção dos policiais, que precisaram se esquivar e se jogar no chão para não serem atropelados. Os indivíduos continuaram fugindo até serem localizados no interior de uma residência. No local, eles continuaram a ofender os policiais que estavam do lado de fora e os policiais aguardaram o devido reforço, fizeram o adentramento na residência e, mesmo assim, o indivíduo continuava resistente dizendo que nenhum policial iria colocar as mãos nele. Nesse momento, foi feito o uso da força para conter esses indivíduos e apresentá-los à Justiça", disse.

O irmão da vítima apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele nega todas as alegações dos policiais e explica que antes das gravações não houve nenhum caso como citado pela PM. Inclusive, até o momento, ele diz não entender o real motivo das agressões.

"Quando a gente já estava dentro da garagem do nosso prédio, um policial muito transtornado, nervoso, truculento, solicitou que a gente colocasse o nosso carro na rua. Desde então, nós queríamos entender o porquê de colocar na rua o veículo se não foi passado para nós. Ele falou que ia chamar o superior, aguardamos a chegada do superior. Não tem nenhum caso antes das imagens, quando meu filho percebeu que o superior estava alterado, se deu início às imagens onde ele mesmo autoriza a gravar o ato dele, e daí para frente só foi porrada na cara. Até então não entendemos o porquê das agressões", afirmou.

De acordo com o advogado dos empresários, depois de ouvir os depoimentos de todos os envolvidos, um relatório será enviado ao Promotor Militar que vai decidir se denuncia criminalmente ou não os policiais envolvidos. 

FONTE: Folha Vitória